domingo, 11 de janeiro de 2015

Sobre Redes Sociais

Partilhamos numa tentativa (consciente ou inconsciente) de mostrar aquilo que a nossa vida não é - o que gostaríamos que fosse - na tentativa de impressionar os outros. E sei que nisto não reside novidade para a maioria.

Também é verdade que casos há em que a expectativa é a de partilhar remota e virtualmente o sentimento que temos em relação a algo - aquilo que alguma coisa vale para nós - seja revolta ou admiração, tristeza ou paixão.

Mas, se no primeiro caso falhamos por excesso, no segundo falharemos sempre por defeito. De um modo ou de outro ficamos aquém ou além do valor das coisas (dos sítios, dos sabores, das músicas, das pessoas). E em última análise, deixar que isto se torne um hábito alimenta sempre a mesma tendência: o aumento da distância entre o que se é e o que se vê. 

E se como sempre acreditamos no que queremos, o virtual que criamos tem influência no (mais ou menos) real que somos. E a pouco e pouco afastamo-nos de nós próprios...

E aproximamo-nos de quê?

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Triste sina

Pior que ninguém se apaixonar por nós é não nos conseguirmos apaixonar por alguém.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Escolhas ou acasos?

"A vida é feita de decisões!"

Mas esperem lá. Antes das decisões algum acaso terá definido as hipóteses!

Tivemos de dar com o caminho antes de o escolher. Tivemos de nos deparar com um obstáculo antes de decidir ou não enfrentá-lo.

Ou será que metermo-nos ao caminho foi desde logo uma escolha?

Bom, seja como for, só deixo de tomar decisões quando um acaso ou coincidência me provarem ser mais eficazes (entenda-se: me tragam maior felicidade). Está decidido.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Posso fazer o que quiser da minha vida e ela não é nada do que eu quero que seja.

terça-feira, 2 de abril de 2013

A trepadeira

Era uma vez uma planta trepadeira.


Ora, as trepadeiras, ainda que enraizadas no solo, dependem de um suporte a que se agarrar para nele subirem e crescerem. Assim, mais facilmente podem alcançar a luz do Sol, da qual a sua vida depende.

Mas esta trepadeira tinha uma limitação: não se conseguia manter presa aos suportes que a rodeavam.
Desconhece-se se, de início, o problema terá residido na pobre planta cujos espinhos não teriam força para se manter agarrados ou se, por outro lado, a trepadeira estaria plantada entre superfícies não aderentes.
A planta foi então mudada de sítio. E mudados foram sendo também os suportes que a rodeavam. Mas o fado da triste planta manteve-se. Por muita força com que se agarrasse a uma qualquer superfície, tarde ou cedo voltava a cair no chão, andando por ali arrastada pelo vento durante algum tempo.
A pouco e pouco foram sendo mais esforçadas as investidas da nossa planta em prender-se. E cada vez menos eficazes.
A trepadeira perdeu força. A trepadeira perdeu saúde. E perdeu vontade.

Até que um dia, quando uma árvore saudável ali foi colocada, tudo e todos indicavam “é desta”.
Mas a trepadeira não chegou lá: àqueles ramos tão próximos, tão disponíveis e compatíveis.
Sabia (ou acreditava) que não conseguia e portanto não tentou.


P.S.: Nada percebo de botânica. E a trepadeira que tinha na varanda já morreu.

sábado, 9 de março de 2013

As cartas que o meu pai me há-de escrever. Parte V – Despedida

Eu sou e serei feliz quando te deixar aqui.


Se é para ser livre, antes tu do que eu.

sexta-feira, 8 de março de 2013

As cartas que o meu pai me há-de escrever. Parte IV – Disrupção

Se eu planto uma árvore, a rego diariamente, lhe corto as folhas e a protejo do vento, vejo na sua maturidade o trabalho que tive. E orgulho-me dela revendo-me em cada ramo mais forte ou mais fraco. Na cor de cada folha e no sabor de cada fruto.
Às tantas não agrada a muitos, mas espelha-me a mim e pronto.

Descobri contigo que afinal essa diferença não me fere. 
Se a "diferença" está na matéria que eu criei, como pode, afinal, ser tão diferente de mim?

Tudo o que eu não compreendia se tornou compreensível e natural através de ti.

"As naturalidades não se discutem!"
Talvez por isso não se fale do assunto.

Nunca pedi uma nora. Não sei o que é isso nem sei se quero descobrir. 
Quero o que tenho sem margem para surpresas. E as mulheres são mais más que os homens.

E nunca disse que querer um neto. Tenho orgulho no meu filho.
E quero que o meu filho seja o que eu quero mais. E não quero querer mais a ninguém.


És tu que mereces ficar com a minha vida quando ela acabar. 
Tu, sobretudo tu, és o sentido de ela começar e acabar.

quinta-feira, 7 de março de 2013

As cartas que o meu pai me há-de escrever. Parte III – Semente

Nunca fiz questão que estudasses muito. Nem pouco, pelo que me lembro.
Ponho-me a pensar se terá bastado pagar-te o colégio e ir buscar-te ao fim da tarde.
Às vezes ao fim da noite.

Devia ter insistido mais? Ainda vou a tempo de compensar?
Nem me lembro se tiveste boas notas. Mas lembro-me de te ver abatido nos tempos da faculdade.
Custou-me a pagar mas custou-me mais não te ter à mesa de jantar nas noites de escola.

Uma vez, em criança, apareceste para almoçar de cara marcada. Pela vergonha de admitir que a professora te batera, disseste ter sido um colega.
Era a primeira classe e enganaste-te nos deveres.
Fizeste o exercício errado. E apanhaste.

Anos depois consumiu-me a raiva e a vergonha que senti por tu, tão novo, andares em certas brincadeiras com o filho da vizinha.
Se eu tivesse sabido na altura que as tinhas também com a filha de outra vizinha, teria reagido de modo semelhante? Talvez igual.

O medo da opinião dos outros.
A imagem que têm de nós.
Somos iguais.

Sei que sofres e choras como eu em segredo. Sofres e choras por motivos que os outros não compreendem.
Compreendo eu que te fiz assim, sem saber.

És bom como ninguém. És bom como eu.
Sem nos gabarmos mas, ao mesmo tempo, orgulhosos por o sermos.

Tens o dom convincente da palavra e, às vezes, a rispidez de quem ama verdadeiramente.
Esse dom hás-de o ter ganho para compensar a timidez e vergonha dos outros.
  
Já te meteste em vários projectos.
Apesar de ser raro ver-te levar alguma coisa até ao fim, orgulho-me mesmo daquilo que não sei se fazes bem.

Gostei de te ouvir cantar porque o público aplaudiu.
Mas nem piano nem guitarra aprendeste a tocar.
Já é bom teres os instrumentos.
Pode ser que um dia lhes pegues.

Podias plantar uma árvore mas, pelos vistos, bastam-te os vasos na varanda e as amostras de plantas a que chamas jardim. Ainda te falta a paciência para esperar que uma árvore cresça.

Falta-te a persistência de um escritor para levar uma obra à conclusão. Jamais escreverias um livro.
Quanto muito um poema. De rima pobre.

E um filho não fazes.


Falta-te, paciência, persistência e muito mais.

quarta-feira, 6 de março de 2013

As cartas que o meu pai me há-de escrever. Parte II – Laços


Partir para a capital não foi um sonho concretizado. Calhou ser assim. Não calhou ser provinciano a vida toda, apesar de saber que ainda sou.

 Aquele "é já tempo d’embalar a trouxa e zarpar” soava-me sempre a ordem de despejo.
Ou era só eu queria voltar para a terra? 
Para casa. Para o frio da lareira e o assobiar dos pinheiros.

O santo nome de minha mãe por si só lhe deu lugar no Céu.

Já o bom coração lhe deu tormentos na Terra. 

O meu elemento primordial é este. A Terra, para onde hei-de voltar. O conforto e o calor castanho da terra ultrapassam a beleza azul da água e a liberdade asfixiante do ar.

Quero envelhecer no campo onde a tranquilidade que agora me enerva então me acalmará. Quero lareira e um alpendre. E um cão fiel que se deite a meus pés.

Tu também. Mas enquanto eu vou ter alguém, tu continuarás a querer ter toda a gente.

Nunca aprendi o que é paixão. Acho que sei o que é amor. E sei que nunca saberei outra coisa. 

Duvido que tu venhas a conhecê-lo.

Pobres e podres dedos os teus marcados de tantas alianças postas e tiradas.

Fazes lá ideia do que é amar incondicionalmente. 
Batia-te se te ouvisse dizer amo-te. 
Batia-te pela primeira vez.


Às vezes repreendes-me. Ninguém o faz tão assertivamente. Nem a tua mãe. 

Talvez a minha...

terça-feira, 5 de março de 2013

As cartas que o meu pai me há-de escrever. Parte I – As cerejeiras


Quando eu era pequenino, havia, dizem agora, um regime autoritário. Um regime que eu não senti porque, em tudo, aquilo era certo. Era a continuação da minha educação e valores familiares (à excepção do pai ausente).
Era a segurança de não haver diferenças. Tudo tão estável e sereno como a sombra dos pinheiros e o calor das amoras.
Acabei por sentir tudo aquilo quando deixou de existir, quando afinal a liberdade é que era boa, apesar de me assustar.

Naquele tempo em que o regime era certo, ser crismado era então muito mais que um mestrado. Agora que o regime é outro, a minha fé é mais genuína (no mínimo por achar que é decidida por mim).
Nunca quis questionar a fé, a religião ou a igreja. Ela é verdade porque não pode ser mentira. Ela é o melhor porque pensar numa alternativa seria aterrador. A lucidez pode doer e prefiro ser, por opção, enganado. Não quero, em boa verdade, por opção, conhecer opções.

Fui quase rico, não fora a ruindade de muitos. E seria tão diferente se não tivesse passado pelos episódios banais de quem divide uma sardinha por seis. Fosse tudo diferente e não daria eu hoje o valor que dou a tanta coisa tão pequena.

Pai! Pai? Mãe.

Mãe, tenho saudades. E ainda choro.

Nasci no ano em que dizem ter ido o primeiro homem ao Espaço. Loucos.
E afinal de contas, a partir de onde é que é Espaço?
Sei o que vejo. Desconfio do que falam e duvido da propaganda.

Gosto tanto de ouvir o acordeão.

Há muita coisa que gostava de ver para acreditar que existe. Gostava de ver sítios, vilas e cidades, não fora preciso embarcar e voar. Gosto da terra. 

Sempre gostei. Somos iguais.

E o medo do escuro? 

Perdi-o quando cresci e voltei a ganhá-lo quando o ganhaste.

A necessidade de aceitação é coisa tramada. Os outros. Sempre os outros.

Será porque eu não faço sentido sem os outros? 
Eu não posso ser sozinho. 
Nunca fui completo sozinho. 
Nem incompleto.

Poucas foram as vezes em que me deixaram só. Mas por bons motivos. E a ansiedade de vos esperar compensou sempre. Às vezes com prendas. Nunca cacei moscas com vinagre. Maricas, talvez.

Mas se não vos tivesse mais? 
Daria tempo para que viessem outros?
 Medo. Tal o medo que às vezes choro em segredo.

São os outros que diferem de mim ou eu que difiro dos outros?

Angustia-me e satisfaz-me ser diferente. Ora seria mais simples ser mais igual, ora sou mais pessoa por ser diferente.

Se não fosse o que sou, tinha sido carpinteiro. Gosto de tocar e cheirar a madeira. O fruto da terra transformado pelas minhas mãos.

Gabo-me dos pequenos feitos que a minha obsessão exige. Sou perfeccionista. 

Somos diferentes nisto. Tu não consegues.

Tinha sete anos ou menos quando ateei fogo no mato. Uma caixa de fósforos era um deleite para mim e dei-lhes uso, claro. Se fosse hoje dava prisão.


As tuas brincadeiras aos sete anos também dariam prisão no meu tempo.

Todas as maneiras de amar são legítimas

Soa a verdade de la Palisse mas para mim foi quase uma epifania. De modo que senti vontade de defender (ou pelo menos validar) esta tese.

Pensei em namoro. Em casamento. Em sedução. Curte. Engate. Amizade ou amizade-colorida.
Sexo. Paixão. A dois. A três. Ou até mesmo sem conta.
Mimos. Conversas. Passeios.
Amor. Fantasias. Saudade.
Perdão. Desejo. Conforto, simpatia ou apenas resignação.
Por ele. Por ela. Por ambos. Ou, simplesmente, por si.

E no momento em que que devia defender a minha tese não encontrei argumentos que a contrariassem. E acho que isso a validou. Pelo menos para mim, que é quanto basta.

Não existe, na verdade, um só motivo que ilegitime uma manifestação, uma forma, ou maneira de amar.

Vai haver, claro, quem queira extrapolar esta ideia de que "tudo se pode". E sim, tudo se pode. Sob a premissa de o amor ser respeito.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Este cheiro

Há um cheiro hoje no ar que me é tão familiar.
Cheira a mudança. Ou a vontade dela.

domingo, 3 de março de 2013

A saudade

Premissas:
1 - Só se sente saudades do que se teve
2 - A saudade é um estado ou sentimento relativamente habitual
3 - Estamos frequentemente insatisfeitos com o que temos

Conclusão:
Somos uns esquizofrénicos. Nunca queremos o que temos, reflectimos no que tivemos e, no final de contas, queremos é outra coisa qualquer.

sábado, 2 de março de 2013

Isto da fé

A fé é de facto um fenómeno deveras interessante.
E torna-se ainda mais curioso no que toca a rituais, movimentos e manifestações colectivas.
Concorde-se ou não. Acredite-se ou não. É, sem dúvida, interessante.

Acho que sonhei com o meu filho

Que estranha esta memória de ter estado com algo que é de mim e que eu ainda não conheço. Tampouco conheço o sentimento de ser pai e ainda assim foi tão familiar.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Tolos

Loucos os que procuram formas de vida noutros planetas. Descobri que as mais inteligentes vivem dentro de nós.

sábado, 24 de setembro de 2011

"Só sei que me encontrei(!)..."

quinta-feira, 14 de abril de 2011

A máquina.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Vamos!

Rasgada a carta de 2010, abre-se o envelope para o que se venha a escrever no novo ano. Vamos lá viver 2011.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Sabedoria popular

"Quem anda à chuva molha-se" e "não há fumo sem fogo".

E já se sabia que "quem boa cama fizesse, nela se havia de deitar", que é como quem diz: "o que não tem solução, solucionado está!"

Nem valia a pena dizer que "mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo".

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O Amigo

Não há conforto mais pleno que a sinceridade de um amigo para nos recordar de vez em quando quem somos.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Às vezes

Agora faz sentido e sou eu quem canta.

"Às vezes
Quando te peço
Essas coisas que enfim
Eu não mereço
Fico a olhar para ti
E agradeço
Ter o que te pedi
Sempre que peço

E olha
Às vezes penso
Penso que tu me queres
Que eu te pertenço
Distraída de mim
Nada mais peço
Tenho do teu amor
Tudo o que eu quero

Aceita este pensar
Desperta tudo o que eu sou
Regresso ao teu amor
Depressa, a certeza chegou

Adoras, Amamos, Demoras, Enganos...

E ainda vou ser feliz
Nos braços do meu amor"

P.S.: Sugiro que ouçam este poema cantado pela Ana Moura.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O Segredo


Em todos os aspectos, é capaz de ser este o segredo. "Acreditar", "confiar", "ter fé". Mas não é nos outros nem nos factores externos que não podemos controlar. É em nós.

Dizem que escolher os nossos pensamentos é tão ou mais importante que escolher a roupa que vestimos diariamente. Nunca pensei ser possível limitar/filtrar/regrar aquilo que me vem à cabeça mas a verdade é que este exercício é desafiante e eficaz.

Sugestão: Não se "vistam" bem só ao fim-de semana. Nesta matéria, todos os dias são dias de festa. E, preferencialmente, comprem "roupa" nova todos os dias (e não em saldos - sejam selectivos e inovadores).

P.S.: Não, nunca li "O Segredo".

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Facto

A vida e as histórias são demasiado curtas para adiar (nem que seja por um dia) aquilo que desejamos.

domingo, 10 de outubro de 2010

As efémeras certezas

Os repetidos e vãos ciclos pelos quais passamos levam-nos às vezes a questionar se as certezas de agora não virão a ser, no futuro, só mais uma história que passou. Haverá, ainda, histórias como as dos nossos pais? Histórias mais perenes que a vida.

Porque tudo o que eu quero agora é que este não seja só mais "fado" no meu Fado.

sábado, 4 de setembro de 2010

Doença

Quando se gosta d'alguém
Sente-se dentro da gente
Ainda não percebi bem
Ao certo o que é que se sente
Quando alguém gosta d'alguém
É de nós que não gostamos
Perde-se o sono por quem
Perdidos de amor andamos
(...)
Quando se gosta d'alguém
Como eu gosto de quem gosto
O desgosto que se tem
É desgosto que dá gosto
Quando Se Gosta De Alguém, Amália Rodrigues

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Eu sem ti (e tu sem mim)

Meu corpo
é um barco sem ter porto
tempestade no mar morto
sem ti.

Teu corpo
é apenas um deserto
quando não me encontro perto
de ti.

Teus olhos
são memórias do desejo
são as praias que eu não vejo
em ti.

Meus olhos
são as lágrimas do Tejo
onde eu fico e me revejo
sem ti.

Quem parte de tão perto nunca leva
as saudades da partida
e as amarras de quem sofre.
Quem fica é que se lembra toda a vida
das saudades de quem parte
e dos olhos de quem morre.

Não sei
se o orgulho da tristeza
nos dói mais do que a pobreza
não sei.

Mas sei
que estou para sempre presa
à ternura sem defesa
que eu dei.

Sozinha
numa casa que é só minha
espero o teu corpo que eu tinha
só meu.

Se ouvires
o chorar de uma criança
ou o grito da vingança
sou eu.

Sou eu
de cabelo solto ao vento
com olhar e pensamento
no teu.

Sou eu
na raiz do pensamento
contra ti e contra o tempo
sou eu.

Meu Corpo, José Carlos Ary dos Santos

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O que é a paixão?

É quando julgamos já ter vivido de tudo e somos verdadeiramente surpreendidos. É quando achamos que estamos gastos e nos renascem de novo.

É quando adormecemos a rir e vemos o Sol se pôr a chorar. É quando cerramos cadeados e fazemos promessas de amor.

É quando queremos chorar de saudade se soubermos que a distância não nos muda. É quando provamos a felicidade, esperando que venha a ser sempre o nosso prato principal.

sábado, 12 de junho de 2010

Song for a guy

Y tú que te creías el rey de todo el mundo
Y tú que nunca fuiste capáz de perdonar.
Y cruél y despiadado, de todo te reías
Hoy imploras cariño aunque sea por piedad.

A dónde está tu orgullo, a dónde está el coraje?
Porque hoy que estás vencido mendigas caridad
Ya vés que no es lo mismo amar que ser amado
Hoy que estás acabado que lástima me das.

Maldito corazón, me alegro que ahora sufras
Que llores y te humilles ánte ése gran amor.
La vida es la ruleta en que apostamos todos
Y a tí te había tocado no más la de ganar.
Pero hoy tu buena suerte la espalda te ha volteado
Fallaste corazón, no vuelvas a apostar.

Fallaste Corazon, Cuco Sánchez

domingo, 30 de maio de 2010

P'ra bom entendedor, todas estas palavras bastam

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia

Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram

Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto

Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto

Estrela da Tarde, José Carlos Ary dos Santos

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Os medos e as expectativas

Uma fadinha teve a amabilidade de partilhar este texto comigo e é tão verdade que aqui fica registado:

"Quando alguém entra na nossa vida deparamo-nos com os nossos medos ao quadrado, com outras experiências que naturalmente são diferentes das nossas porque claro que somos indivíduos diferentes, com vivências diferentes, o que é normal, nada mais normal...Também é normal que sejamos confrontados com algumas cicatrizes, as dos outro, das quais nos vamos apercebendo porque somos pessoas de tacto e até às nossas as que existiam e as que nem sabíamos que tinham se revelam, ficam mais sujeitas a abrir e é nestes momentos de conhecimento mútuo, de inicio de qualquer coisa que ainda não sabemos bem o que é, é nestes momentos que realizamos na nossa cabeça o mal que a última aventura/desventura nos deixou, porque o medo que nem sabíamos que tínhamos se revela como uma pesada herança, e a esta não podemos dizer: "Não quero" afinal ela está-nos gravada na pele, na cabeça, no coração, molda-nos os actos, faz-nos dizer as palavras a medo, pensá-las quando há uns tempos atrás a boca atraiçoava-nos, dizia o que o corpo queria e agora...agora a cabeça aplica a censura e perde-se muito, muito...

Mas o ser humano é assim, é um sobrevivente, resistente e poucas vezes inconsciente.

Para além dos medos há as expectativas, as expectativas que o outro tem, que cria em relação a nós...Os sonhos, que são do outro, mas que precisam de nós para ser realizados e aí os nossos medos crescem exponencialmente...porque se é perigoso quando um quer mais perigoso é quando dois querem e o alerta vermelho acende-se ainda mais quando o outro quer mais do que nós...Agora a questão é saber porque o querem, se é porque o querem ou querem porque o medo está a falar mais alto...

O medo, o eterno medo..."

Em http://araparigaquematouocoracao.blogs.sapo.pt/180416.html

domingo, 16 de maio de 2010

O Vendaval

Sabem aquelas músicas que aparecem do nada e que vos parece que foram escritas naquele momento para vocês? Ora aqui vai o que me apareceu esta tarde enquanto tomava banho:

O Vendaval passou, nada mais resta
A nau do meu amor tem novo rumo
Igual a tudo aquilo que não presta
O amor que me prendeu, desfez-se em fumo

Navego agora em mar de calmaria
Ao sabor das marés, em verdes águas
Ao leme o esquecimento, e a alegria
Vai deixando para trás, as minhas mágoas

Para onde vou?
Não sei...
O que farei?
Sei lá...
Só sei que me encontrei
E que eu, sou eu enfim
E sei
Que ninguém mais rirá de mim

Longe no cais, ficou a tua imagem
Mal a distingo já esmaecida
Comigo a alegrar-me a viagem
Vão andorinhas de paz - de nova vida
Sigo tranquilo o rumo de Esperança
Buscando aquela paz apetecida
P'ra ti eu fui um lago de bonança
E tu, um Vendaval, na minha vida.

O Vendaval, Joaquim Pimentel e António da Fonseca Rodrigues

sábado, 15 de maio de 2010

Ballet for Life

Há quem recuse enfiar-se numa caixa com a multidão.
E são esses que, habitualmente, ajudam a multidão a sair da caixa.

Bejart Ballet Lausanne, Ballet for Life

quinta-feira, 13 de maio de 2010

A viagem

Todas as tristezas e alegrias da vida fariam sentido se conhecêssemos a priori o destino para o qual caminhamos.

(Muito profundo? Talvez, mas cá vai disto...)

Tal como numa peregrinação, em que todos os sacrifícios são compensados pelo momento da chegada, na vida teríamos outra motivação se soubéssemos como é chegar ao fim.

Resta-nos acreditar que caminhamos num bom rumo e, assim, a estrada parece ter menos curvas.

Percebes?

Afinal há coisas (e pessoas) insubstituíveis.

Isto significa apenas que, por muito que as consigamos ultrapassar, há um lugar que nunca será plenamente preenchido sem elas.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

O Retrato de... tanta gente

"The only way to get rid of a temptation is to yield to it. Resist it, and your soul grows sick with longing for the things it has forbidden to itself, with desire for what its monstrous laws have made monstrous and unlawful."

The Picture of Dorian Gray, Oscar Wilde, 1890

domingo, 11 de abril de 2010

sábado, 10 de abril de 2010

And so it is...

quarta-feira, 31 de março de 2010

Estou... aquém

"Não consigo dominar
Este estado de ansiedade
A pressa de chegar
P’ra não chegar tarde
Não sei de que é que eu fujo
Será desta solidão
Mas porque é que eu recuso
Quem quer dar-me a mão


(...)

Esta insatisfação
Não consigo compreender
Sempre esta sensação
Que estou a perder
Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
Vontade de partir
P’ra outro lugar


Vou continuar a procurar o meu mundo, o meu lugar..."

Estou além, António Variações, 1982

domingo, 21 de março de 2010

Ai funesta Primavera

A Primavera, Monet, 1886
Está para chegar a Primavera. A alegre Primavera que, sendo mais fria que o Verão, é a mais quente das estações.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

vazio

vazio

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Happy New Year

A banda sonora quase épica e o grandioso espectáculo pirotécnico criam o ambiente ideal para que as centenas de pessoas que ali se juntam acreditem que a passagem do último segundo do ano traga todas as mudanças que não foi possível concretizar durante os doze meses que passaram.

Mas, entre sorrisos e lágrimas, o sentimento de renovação até é sincero (pelo menos para mim).

São mais 365 dias de oportunidades, de desafios e de vida que nos são oferecidos.

Aproveitem bem o que aí vem. Se quiseremos, pode ser o melhor ano das nossas vidas.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Hoje, 25 de Novembro de 2009

Um passo (relativamente) banal para a Humanidade, mas significativamente grande para mim.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Caos vs. "Relativity"

Relativity, M.C. Escher, 1953

Tenho alguma dificuldade em explicar como sinto a minha cabeça. Dizer que sinto a cabeça cheia de mil coisa é apenas um eufemismo.
Sinto, sim, que a minha cabeça está cheia de mil coisas que faço a 10%, com um esforço que vai muito para além dos 100.
Talvez a imagem que apresento ilustre (relativamente) bem aquilo que vai aqui dentro. Mas, em vez de uma dúzia de figuras a circular num ambiente que pouco sentido faz, imaginem 10 vezes mais criaturas num ambiente onde não cabe um décimo delas.
A verdade é que isto não é necessariamente mau. Pelo contrário. Dou, por vezes, por mim, a meio destes dias a sorrir com a riqueza que é a minha vida.
Ser (bem) ocupado faz bem a toda a gente.
É difícil? A dificuldade é um conceito muito relativo.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

"um tempo"

tempo
s. m.
1. Série ininterrupta e eterna de instantes.
2. Medida arbitrária da duração das coisas.
3. Época determinada.
4. Prazo, demora.

Se, por um lado, por definição, o Tempo é algo limitado, numa leitura mais lata, "um tempo" é tanto tempo quando nós quisermos que seja. E, na maior parte das vezes, "um tempo" tem a duração que a nossa percepção nos obriga a ter.

E como o Homem é tão mais lato e subjectivo, do que estrito e concreto, obrigo-me a crer que "um tempo" pode ser indefinidamente dilatado, se efectivamente quisermos que esse "tempo" exista.


A persistência da memória, Salvador Dali, 1931

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

O diário

Quando era criança, sempre quis ter um diário. E fiz várias tentativas nesse sentido. E, em cada uma delas, passei a odiar a ideia de ter um diário.

E porquê? Porque me sentia obrigado a escrever periodicamente. Porque algo me dizia que se o não fizesse, o dário deixaria de o ser.

Felizmente um blog não se chama diário e, portanto, permito-me escrever com a frequência a que eu próprio me exigir.

Não me pressionem! Eu próprio não me pressiono, para que naturalmente tenha vontade de aqui vir.

domingo, 19 de julho de 2009

Fado [destino]

Será verdade? Será que, afinal, "tudo se resume a isto: fado"?

Nunca me perguntei se acredito ou não que o destino se encontra traçado na palma da mão. Mas pergunto-me várias vezes se os esforços investidos a vários níveis serão em vão e acabo a "sentir que quanto faço não é feito só por mim". Às tantas o tabuleiro está viciado por Outro(s).

Isto é, será este raio de vida de stress e de labuta um teste à nossa resistência? Um jogo que mede a força do peão para lutar contra um "game over" cuja data e circunstâncias já estão definidas a priori?

A criação de Adão (pormenor), Michelangelo Buonarrati, 1511

terça-feira, 14 de julho de 2009

A new day has come

De vez em quando dá-nos na cabeça e dizemos "é desta!". Pode ser que desta seja mesmo.

Vou, no mínimo, tentar ser mais optimista e menos [pre]ocupado.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Manias da Conspiração

Quantas vezes dou por mim, porque sou obrigado a vir à razão, a criar filmes de complexos enredos em que, claro, sou personagem principal.

Pois nestes filmes eu chego a acreditar que algumas cenas são criadas para me derrotar (qual mártir). Chego, até, ao ponto de crer que todo o filme tem, apenas, este objectivo.

La morte di Giulio Cesare, Vincenzo Camuccini, 1798

Que mente pequenina e egocêntrica! Acorda, bolas! Deixa-te de cenas! "O mundo não gira à tua volta!".

É bem verdade. E, por ser verdade, vou fazer um esforço por ser mais coerente. Menos sensível a tais interpretações.

(...)

Até que, depois desta consciência... Até as palavras "eu sabia" e "eu disse-te" são demasiado retóricas!

O Homem é um ser tão previsível e, muitas vezes, tão fácil de ler.

P.S.: Cuidado com as cobras.

domingo, 28 de junho de 2009

Fado

Até me custa criar um post denominado "Fado". O Fado merece, para mim, muito mais que um post, um blog, cem ou mil palavras.

Diz-se e concordo que, para se gostar disto do fado, não basta saber ouvi-lo ou cantá-lo, é preciso senti-lo. E que isso não é para todos.

Pois que, como se ama o Mar, como se ama a Arte, a Religião e até o Futebol, eu amo o Fado. Porque ele me alimenta e me preenche.
Amália Rodrigues, Jef Aérosol, 2007

"Que culpa tem o destino, deste destino que eu tenho. Se o desgoto é pequenino, eu aumento-lhe o tamanho."

domingo, 21 de junho de 2009

"Ai, que beleza tamanha"

Sabem quem é o jovem da imagem? Não é feio realmente. Mas é assim tão belo que valha a pena morrer de amor por ele?

Pois que Narciso gostava tanto da imagem de si próprio que acabou por morrer a contemplar-se.

Há ainda outra história (não tão mitológica) que conta que o lago sobre o qual Narciso se debruçava ficou desgostoso com a morte daquele. Mas não pela beleza do jovem rapaz. Parece que também o lago se contemplava ao ver o seu reflexo nos olhos de Narciso e perdeu, assim, o seu espelho.

Eco e Narciso (pormenor), John William Waterhouse, 1903

Às vezes penso que não perdia em ser mais narcisista. Mas depois penso: e se todos o formos? Talvez já existam cegos suficientes. Daqueles que estão tão concentrados em si que perdem a beleza de tudo o que os rodeia.

E, mal por mal, já que em terra de cegos quem tem olho é Rei, mais vale continuar a ver.

O longe e o perto

Já ouvi dizer que nenhum quadro é bonito se visto de muito perto.

Parece-me que nos querem atirar areia para os olhos, tentando convencer quem aqui anda que as imperfeições, as falhas, as borbulhas, as rugas, os pelos, a barriga... Enfim, que tudo isto são pequenos pontos que compõem a mais bela obra.

Será? Se assim for, talvez seja melhor começar a andar mais longe de toda a gente. Ou então, a mirar de perto todos aqueles que nos parecem tão belos.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Aqui entre nós...

Disse-me uma fadinha que se eu começar a desafiar os meus limites (mesmo que os mais insignificantes) talvez, a pouco e pouco, venha a ser naturalmente mais confiante.

Portanto, com ou sem álcool, vão dar por mim a cada refeição a levantar-me para ir escolher a sobremesa.

Vão, até, dar por mim, por dá cá aquela palha, a meter conversa com estranhos.

Só duvido que me encontrem numa discoteca a curtir à grande sem álcool. Para isso preciso mesmo de Psicanálise.

terça-feira, 16 de junho de 2009

A sobremesa

-"Se não estivesses bêbedo, não te tinhas levantado para ir escolher a sobremesa!"

E não é que é mesmo verdade? Já me conhece bem, realmente. Pelo melhor e pelo pior.

Se eu não estivesse bêbedo, não me tinha levantado da mesa.
Se eu não estivesse bêbedo, não dançava na discoteca.
Se eu não estivesse bêbedo, não falava de tanta coisa.

Bendito álcool.

domingo, 14 de junho de 2009

Cheira bem

Eu, que não sou de depressões, diria (e digo) que há muito que a terra molhada não me cheirava tanto a melancolia, como hoje.

Às tantas é só porque já não chovia há algum tempo.


Edvard Munch. Melancholy. 1891

There was a boy...

...que era o último a ser escolhido nas aulas de Educação Física.

Ser construído de memórias de rejeição e solidão não agoira bom futuro. Mas e se afinal o futuro até for bom?

O futuro, que é agora, até que é bom (pelo menos, melhor do que se esperava) mas como um edifício construído sobre más fundações, um bom presente sobre um mau passado tem pouco de estável.

A ver se descubro como arranjar as fundações depois do prédio construído.